quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Bandeirantes do Desconhecido





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Os símbolos acima não vieram do relato de um abduzido nem foram vistos gravados na superfície de uma nave alienígena. São os símbolos de ‘contém’, ‘está contido’ e ‘não contém’ da nossa terrena (?) ciência matemática. Uma revisão nesses simples conceitos matemáticos talvez pudesse ajudar a pôr um pouco de ordem nessa caixa de Pandora que é a Ufologia atualmente.
Motivou-me a falar uma polêmica (entre tantas) – a meu ver totalmente desnecessária – que claramente agiu como uma gota d’água no parco equilíbrio entre as correntes ideológicas do meio ufológico atual. Variando entre as polaridades Negação X Hiper-aceitação, Ceticismo X Misticismo, ‘Grays’ X Mestres Ascensos, enfim, Desconfiança X Esperança, ainda estamos nos debatendo entre as dicotomias Razão X Fé, como os agentes Fox Mulder e Dana Scully no extinto seriado Arquivo X, para definir o que a Ufologia contém e o que ela não contém.
Acredito que falo como a maioria dos leitores quando digo que pouco me importa o que cada ufólogo particularmente pense ou ache a respeito do fenômeno. Estou sim muito mais preocupada que aja um local – fórum, lista de discussão, revista de natureza IMPARCIAL – onde as conjeturas de todos possam ser acessadas, partilhadas, apoiadas com interesse por uns e refutadas com respeito por outros. Enfim onde a massa pensante da ufologia hoje – composta de ufólogos e ufófilos - possa exercitar seus neurônios, pois sem isso nada nos espera além da estagnação.

O Tao da Ufologia

O próprio fato de que vertentes se criaram dentro da Ufologia à semelhança das ramificações comuns às religiões já traduz o caráter multifacetado – portanto ambíguo – dos fatos que compõem a base daquilo que chamamos Ciência Ufológica. Sendo ‘terra-de-ninguém’, muitos se arvoram seus donos, detentores da palavra final às respostas dos ‘o quês’, ‘porquês’ e ‘comos’ que assaltam todas as mentes confrontadas com os fatos e fenômenos até hoje documentados.
Em decorrência de divergentes pontos de vistas, ‘cabos de guerra ideológicos’ podem acabar levando a dissenções que enfraquecem as chances de avanço do movimento.
Como comprova o ‘aniversário’ de um ano da entrega do Manifesto da Ufologia Brasileira às mãos do presidente da república, tanto já se sabe mas tão pouco se avança, em termos práticos, na ufologia. Nesse momento em que a união se faz necessária na busca de meios mais efetivos de pesquisa, não podemos nos dar ao luxo de enveredar por disputas partidárias e inimizades pessoais. Caso contrário, a exemplo de Brasília, dia chegará em que teremos o PUFO (Partido da Ufologia) contra o POVNI (Partido da Pesquisa dos Objetos Voadores não-Identificados) disputando no Congresso Nacional o maior número de votos de credibilidade perante as consciências humanas. A experiência política brasileira leva a crer que veremos então surgir a ‘CPI da Fraternidade Branca’, os ‘escândalos terminados em pizza’ das ‘Conspirações Governamentais’ para o encobertamento de provas, quiçá até a ‘dancinha dos homens-de-preto’ em comemoração à não-cassação de um dos seus.
O chamado ‘caminho do meio’ não é o caminho dos indecisos nem tampouco da utopia harmônica. É o caminho da reserva, da análise imparcial que faculta, na impossibilidade de se obterem respostas definitivas, a chance de não incorrer em julgamentos precipitados que, além de resultarem em conclusões equivocadas, têm a infelicidade de por vezes dar origem a ‘escolas de pensamento’. A partir daí o erro se cristaliza, ganha adeptos e seu esclarecimento torna-se muito mais difícil.

As Fobias Ufológicas

O procedimento cauteloso que a ufologia, como qualquer ciência, deve ter evidencia-se ao constatarmos o caos em que a humanidade vive: sem falar do flagelo de pragas e doenças, basta nos atermos à escravidão do sistema – à qual o homem, a fim de sobreviver, submete-se, e dentro da qual nasce, cresce, reproduz-se e morre, à semelhança de gado, sem maiores questionamentos filosóficos.
A angústia dessa aparente ausência de sentido para a sua existência, leva a alienação com o uso de drogas, ao consumismo fugaz dos dias. A dor humana se traduz, especialmente hoje, em violência urbana, na busca inconsciente da cessação pela auto-destruição. Por isso o messianismo, fenômeno tão perigoso e desagradável na visão de qualquer mente racional, é absolutamente previsível numa humanidade que acalenta o desejo de ser salva de si mesma e sonha com o dia em que verá uma ‘justiça divina’ manifestar- se através de seres mais poderosos.
No entanto, se por um lado talvez fosse mais fácil pesquisar a ufologia sem a problemática que advém sempre que se incorre em questões de ordem religiosa, por outro lado não podemos ignorar que o apelo de uma ‘ética cósmica’ vem bem a calhar numa época em que ONGs proliferam a fim de promover a implantação de valores mais justos nas sociedades.
A ufologia é, muitas vezes, vista com fascinação mórbida ou como última porta de salvação. Seja um governo que vise avanços tecnológicos ou uma fé que adquire contornos intergalácticos, os temores apocalípticos que a palavra ufologia evoca produzem sentimentos de incerteza que levam à busca de auto-preservação e auto-perpetuação. Até mesmo os ufólogos, archotes dessa mudança, não estão livres de tais mecanismos de defesa quanto a seus próprios sistemas de valores, como vemos ao tentarem adequar a casuística ufológica dentro de parâmetros por eles mesmos definidos.

Jornadas na Incerteza

O que se pode afirmar com certeza é que a ufologia, prove lá o que quer que seja, vai abalar o conhecimento estabelecido e, como toda mudança que não pode ser evitada, será protelada ao máximo.
Essa nova aurora que desponta no horizonte desafia nossa compreensão e obviamente interferirá na evolução humana, cabendo ao ufólogo, hoje desacreditado bandeirante do desconhecido, a abertura de caminhos que possibilitarão chegar a uma verdade mais abrangente. Nessas ‘Caçadas do Improvável’, o caçador que volta para casa sem sequer ter visto sinal da caça na maioria das vezes, será também o responsável por traduzir suas descobertas para uma linguagem capaz de ser compreendida por uma massa humana mais quantitativa.
Já tendo sobre seus ombros tantas responsabilidades, não é papel do ufólogo definir o que ‘contém’ ou ‘não contém’ a ufologia, mas sim buscar dados, correlacioná-los e expôr o resultado de sua pesquisa ao maior número possível de pessoas. Não a fim de convencê-las, mas de provocá-las, de instigar suas inteligências, suscitar dúvidas quanto aos seus ‘saberes’, incomodá-las no sossego de suas mentes adormecidas. Revela-se aí a importância do ufólogo como aquele que compila, analisa e classifica os dados, o que originará por certo teorias.Em última instância o ufólogo é agente de descobrimentos das respostas que a ufologia contém, e dentro da qual nossa realidade e nós mesmos estamos contidos. E não o contrário.




artigo publicado na Revista UFO

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