sábado, 31 de julho de 2010

Cidadania Cósmica



A cidadania que a poesia exalta
é mais que poesia, é prece
É a cidadania dos tempos de eleição
a que o político enaltece
e o povo desconhece.

A cidadania que o poeta escreve
é retrato de precisão:
É precisa dentro do sonho
e nos bueiros da favela do alemão

É mais que um tema de doutorado
ou que seus créditos de mestrado.
Extrapola as aulas de sociologia
e aparece no prato da menina desvalida

Cuja mãe é só mais uma faminta nas filas do Bolsa Família.

A cidade que se cala
culpa a elite e o governo.
Esconde a face pra não ver
o desamor virulento.

"Que que eu posso fazer" - tu dirias
"A culpa é do povo" - te ressentes

Mas só desse ao qual, tu achas, não pertences!

Ergue o olhar, muda a face
de vergonha para esperança.
Pega a pá e a vassoura, o prato, a pena e a lucidez.

Não te arvores ser imune que a enchente te pega de vez!

Corre, apressa, o tempo passa!
Quando vires, já morreis...

Mas a terra que te acolhe abençoa o que tu se fez.

"A Terra é viva!", tu escutastes
A "Hipótese Gaia" já leste...

Não te iludas que haja tempo quando tempo não mais resta.

As futuras gerações não estão no futuro
São presentes em tuas glândulas nesta mesma manhã
São sussurros... "não se engane! não há tempo!"

O ontem deles já morreu sem que os filhos dos teus filhos soubessem o que se perdeu.

A cidade que de dia te aquece
é fria pedra nas madrugadas
é quando ela sonha que com as cidades - primas do interior se parece.

Banco de praça e ar puro, gramado e riacho atrás do portão...

Ela sonha, mas que engraçado...
quando acorda está sozinha
pois seus filhos se mandaram...

É feriado! Se foram para uma outra cidadezinha.

"Relaxar é o que mais quero, sair dessa poluição!"

Está certo, meu amigo, boa viagem, então.
Vou torcer pra que te inspires e retornes renovado
decidido a uma mudança para o próximo feriado.

Que com um vizinho ou outro, tu te cubras de amor
numa igreja, clube ou ONG, em alguma associação
com a família ou solitário, tu te ponhas em ação.

Porque a cidadania que o país precisa
é mais do que a cidadania do poeta
que é precisa em sentimento
mas sozinha não faz festa.

A cidadania qeu nos falta
não é governamental nem ideal,
não é regional ou internacional.

É uma cidadania cósmica
comigo e contigo bem no centro do universo.
Onde se joga o jogo da vida e da morte,
onde se vê o risco e não se conta com a sorte.

Onde acontece o ontem, o hoje e o amanhã tudo ao mesmo tempo

Onde se guarda a semente,
onde o conhecimento e o que a gente faz
reverbera para sempre.

Porque a cidadania que eu quero
não é aquela que aparece em época de eleição.
A cidadania cósmica nasce dentro do seu coração.

E pode até ser feita de clichês... mas não dispensa as tuas mãos.





Nenhum comentário:

Postar um comentário