quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A Janela da Vida

De onde avistamos vosso mundo
 - vossos olhos, nosso periscópio  -
Por instantes visualizamos
E nos lembramos
Como é viver segundo as regras
De um mundo quase esquecido

"Vida nova, Vida Posta" dizemos
Parafraseando um ditado antigo
"Rei morto, rei posto" pensa a médium e percebe
Que a janela daí para aqui
Não é a mesma que a nossa

Durante o fenômeno da incorporação
Mas uma outra
Mais acessível justamente
quando se cerram os olhos e se sobressaem os sentimentos

Mediunidade é sentir
e não ignorar a voz interior
Mediunidade é labuta
e urge não se permitir perder
a oportunidade para a redenção

Mediunidade é um olhar contrabandeado
de um mundo para o outro
Uma nota clandestina
que ressoa em diferente plano

Mediunidade é vislumbrar
Através da fechadura
Causa para reações
que do ponto de vista vosso
 - do  vosso aqui e do nosso aí -
não fazem tanto sentido

É começar a compreender
E deixar de duvidar
É se permitir levar a sério
O que a alma insiste em não ignorar


É dar água para a semente
Mesmo em deserto brotar
Desafiando a todos com a beleza
De uma rosa a desabrochar
Só para contrariar quem disse
Que não  haveria solo para ela vicejar

É passar mais tempo
Debruçada no parapeito da janela
Tirando o pó do batente e oleando as persianas
Para permitir que mais passantes dêem notícias
-do lado de cá para aí -

Mediunidade é cumprimento de voto
Que não se fez aí
E consiste em calçar a estrada
Pros caminhos do porvir

Sua a camisa quem trabalha direito
E pole bem  a pedra assentando-a
No local certo
Que o Engenheiro Celestial determinou

Ao fim do dia fecha os olhos
E sorridente acessa a mente
 - aquietada -
E então olha para nós
Para nos ver claramente em sua visão

Da janela que o Papai do Ceú botou
Bem no meio do seu coração!


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