domingo, 13 de novembro de 2011

O Perigo do ‘Médium Adivinhador’ e do ‘Assistido Assuntador’ – Duas Tragédias Anunciadas em Choque nos Terreiros





Nenhuma postagem em outubro... que vergonha! Mas hoje arrumei um tempinho para digitar um texto que escrevi por mim mesma - não foi psicografado - porém com auxílio inspirativo de algumas entidades (inclusive foi escrito dentro de um Centro Espírita, durante uma maravilhosa palestra há alguns meses).

Vou relatar aqui alguns ‘causos’ reais que infelizmente ocorreram em casas simplesmente maravilhosas, de egrégora poderosíssima e cujos trabalhos são muito bem firmados e fundamentados; entretanto, a atitude de determinados médiuns acaba por não somente ‘espantar’ (não no sentido de admiração, de causar espanto, mas sim de ‘espantar para bem longe’) os assistidos, e dessa frma denegrindo o nome da nossa amada Umbanda.

A lástima do 'Médium Adivinhador' 
 e do seu pólo oposto, 
o 'Assistido Perscrutador'



Nem vem ao caso se o médium está bem ou mal incorporado, se trabalha só irradiado ou se apenas não estava num bom dia. Há ocasiões em que uma consulta vai mais ao fundo do âmago de uma questão e outras em que a ‘conversa’ entre guia (?) e assistido não avança muito, ficando mais na superfície. E nisto não há problema algum, visto que além do guia/médium há toda uma egrégora comandando a engira e que está beneficiando a todos ali presentes, e outros nem presentes, como parentes e amigos citados durante a consulta. 

Particularmente eu acredito que a Lei das Afinidades é geral (e abrange encarnados e desencarnados) e que há maior interação entre determinados seres do que com outros, por isso alguns assistidos são melhor ‘acessados’ por um específico médium ou entidade, assim como em determinadas situações você é melhor compreendido por um amigo do que por outro. 

Além disso há que se considerar que muitas vezes a entidade vê bem mais longe e sabe que aquilo que o assistido está falando não é bem a verdade, ou o problema do qual ele se queixa não é a causa real dos seus males, e que não haveria compreensão ou abertura do mesmo para abordar A Verdade; então o guia opta por falar por metáforas e parábolas, infundir energias mais positivas e limpar cargas negativas, agindo no sigilo e auxiliando da melhor forma possível,  pois muitas vezes é melhor não por o dedo diretamente na ferida, e sim investir na freqüência do assistido  às sessões como mecanismo depurador e clareador de suas questões naturalmente.

E isto é um trabalho de Umbanda perfeito, ao qual não cabe qualquer espécie de ‘mas’ ou ‘porém’ por parte dos exigentes eternamente insatisfeitos que confundem ‘atendimento de caridade’ com adivinhação de bola de cristal gratuita. 

Por incrível que pareça já vi gente levar cueca do marido para o guia benzer e uma pessoa sair indignada porque a entidade não disse se era melhor que o assistido assinasse a Net ou a TVA... Fora as perguntas estúpidas de praxe no estilo: “Fui na balada do sábado e conheci três gatinhos, qual deles é o melhor pra eu ficar no próximo findi?”

Com minha habitual falta de paciência com a raça humana, só mesmo estando incorporada para não mandar a pessoa à merda! Consciente dos meus defeitos sou do tipo de médium que anseia pela inconsciência para não atrapalhar o trabalho das entidades, porque se é comigo eu mando a pessoa sossegar a periquita e ir assistir “Turista Espacial” ou “Quem somos nós” ou ler algo que faça dela alguém mais inteligente, mais independente e menos carente.

E não se espante o leitor com meu vocabulário franco e até mesmo chulo, pois faz parte das minhas imperfeições e não me esforço para aparentar o que não sou. Sei também que por ser tão impaciente com os defeitos dos outros é que eu tenho missão a cumprir na Umbanda. E tenho também a consciência de que para isso é preciso que eu peça  forças e humildade a Jesus todos os dias. E o faço, mas santa eu não sou.

Mas voltando ao assunto,  a coisa desanda quando o médium (sim, porque obviamente se trata de atitude do médium e não da entidade) resolve, sabe-se lá se por vaidade ou por insegurança, 'mostrar serviço'. E decide sair adivinhando coisas...

Pior do que falar (e insistir) que o assistido está sentindo o que não está, se por a discorrer sobre males físicos inexistentes, e problemas afetivos ou familiares que nos fazem pensar que o guia está 'sintonizando rádio errada', ocorre quando graças a 'necessidade de aparecer mais do que o guia' do médium, a consulta acaba numa 'comida de bola' muito séria...

Exemplo ocorrido baseado infelizmente na vida real:

Um amigo meu, de 26 anos e que aparenta 18 (e nisto está em parte a causa dos seus infortúnios), muito inteligente,  criado no kardecismo e desenvolvido na Umbanda desde os 14 anos, incorporante de pelo menos dez entidades/guias, afastados dos trabalhos mediúnicos por questões de ordem material, faculdade e etc – e possuindo aval das suas entidades para isto – com  conhecimento amplo sobre espiritismo nas duas abordagens, teve o desprazer de ouvir por duas vezes  - repito em casas de egrégora muito bem firmada -  que seus ‘sintomas’ iriam passar assim que ele se desenvolvesse, estudasse mais o Espiritismo e desse passagem às suas entidades.
Cabe dizer que os ‘sintomas’ por ele descritos tratavam-se exatamente dos mesmos relatados por outras três pessoas, amigos seus que com ele compareceram no mesmo dia e na mesma casa em busca de auxílio espiritual, de causa conhecida e confirmada pelas entidades com as quais estes passaram dentro do mesmo terreiro, devida a uma demanda enviada aos mesmos, cujos detalhes não cabe aferir aqui. Os outros três guias falaram as mesmas coisas, fizeram trabalhos semelhantes e inclusive descreveram a pessoa mandante da demanda e o local de envio com detalhes que não poderiam ter. Entretanto o dito rapaz, embora confiante de ter sido ajudado pela egrégora da casa, tão decepcionado ficou por ser ignorado naquilo que tentava explicar ao ‘guia’, que insistia que não havia demanda, que não se anima a voltar nem a essa nem a outro terreiro, alegando com razão:

“- Se neste que eu sei que é bom e confio, aconteceu isso, pra que procurar outro? Acho que não dou sorte mesmo!”



Já aconteceu comigo também, que nunca espero ouvir nenhuma novidade ou notícia bombástica de entidade nenhuma. Na posição de necessitada que sou, quando vou a um centro o faço unicamente em busca de auxílios energéticos, das energias benfajezas de um passe, que me dê forças de tocar meu precário barco adiante. Nada mais. 
Então meus amigos se indignaram ainda mais quando lhes contei que um ‘guia’ disse que eu precisava estudar mais e que poderia começar lendo o Nosso Lar – livro que li pela primeria vez aos onze anos, quando iniciei meus estudos formais de espiritismo através das apostilas dos curso de médiuns Aprendizes do Evangelho da Aliança Espírita Evangélica no ano de 1985. 
Modéstia à parte, e apenas para ilustrar o absurdo da declaração de tal ‘entidade’ devo dizer que minha quilometragem de leitura é muito superior à maior parte dos meus irmaõs mortais, sendo apontada nas festas de final de ano da biblioteca pública perto de minha casa na adolescência como a consulente que mais livros pegava emprestados, livros estes em sua maioria de cunho espiritualista, teosófico, magístico e assemelhados. Além disso, o que mais ouço das entidades, repetidamente, há anos, é no sentido de que "Leia menos e Faça mais". Dizem que "já entrou tanto que agora precisa sair para não atravancar mais o espaço mental”.

Por que não dissemos, meu amigo e eu, aos ‘guias’ o quanto eles estavam equivocados? 

1) Para evitar uma situação desagradável dentro de um local sagrado; 
2) por respeito à egrégora da casa; 
3) e também ao médium, que deixa seu lar, muitas vezes cansado do trabalho, no propósito de fazer a caridade que os guias que o acompanham, que são dignos de todo nosso carinho e reverência, lhe inspiram a fazer. 
4) Atuaríamos indo contra a proposta dessas entidades excelsas que trabalham pela evolução dele e também para auxiliar a toda uma coletividade, pois o médium poderia ficar tão sem graça que provavelmente perderia a fé em si mesmo. E todos sabemos o quanto é difícil a trajetória de um ser até que ele esteja de fato fazendo o trabalho mediúnico que se propôs antes de encarnar dentro de uma casa espiritual.

Escrevo então esse texto como alerta a todos os médiuns, inclusive a mim mesma, pois todos somos passíveis de cometer esses lastimáveis erros.

Você não precisa dar mais do que tem, nem provar que a a entidade é ‘mágica’ e sabe tudo, supostamente adivinhando aquilo que VOCÊ ACHA QUE É.

A Umbanda já tem magia suficiente para se bancar sozinha, e não necessita que você se esforce em oferecer ao consulente truques baratos, fazendo dela um circo.
Ela só precisa que você esteja lá, servindo como Templo Vivo, com a sua honestidade.