segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Pai Arruda encontra a Encantada Jacirema

PAI ARRUDA ENCONTRA A ENCANTADA JACIREMA


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Iniciado por Tomé, um jovem Pai Arruda tem seu primeiro contato com a magia e a espiritualidade dos verdadeiro povo nativo brasileiro, ao ver-se na presença da entidade indígena Jacirema:

“- Vá chamar as crianças, Mariana. Reúna-as e diga que nossos amigos não podem se demorar demais, enquanto chamo Jacirema com os curumins.

- Eba! Vamos, Manuela, vamos chamar a Cecília e avisar todo mundo! – e saíram eufóricas as duas meninazinhas aos pulos.

Então, uma outra moça luminosa, que fora negra quando encarnada, também se aproximou, e uma outra de cabelos alourados. Elas se deram as mãos e fecharam os olhos elevando a fronte a Deus. Clarinda anunciou:

- Chamemos Jacirema.

Sei que elas entoavam uma melodia, entretanto eu não a podia ouvir. Uma luz rósea formou-se no meio delas, à altura do peitoral, sendo emitida diretamente do chakra cardíaco. Quando esta luz estava firme e bem formada, uma seta disparou do alto desta bola de luz, dissipando-a, e partiu cruzando os céus até cair no centro da mata, distante de nós alguns quilômetros. Instantes depois, do ponto onde a seta alcançou na mata, algo retornou: uma intensa luz branca, que ao se aproximar de nossa colina mais parecia a lua cheia que do céu até nós descia, porém cintilante e muito mais brilhante, seguida por uma espécie de cortejo de pontos luminosos, tais quais estrelinhas seguindo a mamãe lua. Ao alcançar a beirada do topo da colina, aquela luz parou e começou a se transfigurar, adquirindo as mais belas formas de um ser como eu jamais havia visto.

Certamente não podia ser humana, embora se parecesse: não era negra nem branca, tinha cabelos escuros, mas lisos, penas e flores atados a uma faixa enfeitavam seus cabelos, sua pele era dourada, e ela era mais alta que o mais alto homem da fazenda.

Contudo nada me impressionaria mais que seus olhos: apesar de firme e sereno, era tanta luz que saia em fachos de seu olhar que era praticamente impossível sustentá-lo. As moças luminosas que cuidavam das crianças saudaram-na respeitosamente. Atrás dela, cada luzinha que tocava o solo adquiria a feição de um indiozinho e saiam todos correndo e cercando as outras crianças que anteriormente já estavam no local. Estas, ao ver a chegada dos novos amiguinhos, exclamavam ainda mais eufóricas: “Curumins! Curumins! Os curumins chegaram!”.

Eu não sabia o que era um curumim ou um índio, pois nunca antes houvera visto um. Eu não tinha dúvidas de que ela podia ler os pensamentos de qualquer um presente ali, e o poder que dela emanava era estonteante, ao mesmo tempo que nos calava e aquietava a mente, fazendo-nos sentir que naquele momento quaisquer palavras seriam desnecessárias. Entretanto ela olhou para mim, e enquanto eu juntava forças para não desmaiar, ofuscado pela luz do seu olhar, ela me esclareceu:

- “Nós somos os donos dessa Terra.”

E nesse momento eu vi, em um movimento que ela traçou no ar, os brancos chegando de navio e caçando um povo que com ela e com os tais curumins se parecia; vi os negros sendo trazidos e esse povo fugindo do litoral e se embrenhando cada vez mais fundo na mata. E dessa forma eu soube o que era um índio.
Tomé ajoelhou-se perante ela, que lhe orientou:

- À cachoeira ele deve ser trazido, na próxima lua grande por você, já tendo conhecimento das leis e dos preceitos, assim como dos deveres que tanto ele como você hora assumem. Você também há de renovar seus laços e compromissos visto a emergência dos fatos que terão lugar preparando o caminho para a mudança.

Ainda de cabeça baixa, Tomé lhe perguntou:

- Senhora Grande, esse nego aqui ainda vai ver a liberdade e a justiça ter lugar de novo no meio do meu povo sofrido?

- O sofrimento é contagioso e já se espalhou até mesmo entre os brancos – e nisso apontou para a menina Cecília, que trouxe um menino de cerca de 3 anos, choroso e assustado.

- Esse é José Affonso – Cecília falou – ele não brinca com as outras crianças, tem medo das crianças pretas e dos curumins.

Notei que o pequeno escondia a cabeça, recusando-se a olhar para mim ou para Tomé. Jacirema pegou-o nos braços e com a mão sob o peito da criança nos explicou:

- Esse é o filho três vezes natimorto do seu patrão, por obra da magia vingativa do pai daquele que você avistou na subida da colina. Da última vez ele conseguiu nascer e vingar até os dezoito meses, quando estranha doença confundida com o tifo que matou suas outras duas irmãs lhe ceifou a vida novamente. Durante todo seu período febril da doença, e até mesmo durante a fase intra-uterina, ele foi aterrorizado com imagens de espíritos de negros assassinados por seu pai e que permaneceram desejosos de vingança.

Uma suave luz azulada saia de sua mão e ia acalmando o menino.

- Se um povo não tem paz, o outro também não terá, pois ela nunca é unilateral. Há que se realizar a alquimia que traçará o caminho de paz para um futuro unido e irmanado não apenas das três raças que comporão a raça-mãe desta nação, como dos outros povos que mais para frente virão somar sua sabedoria antiga na formação do novo Povo do Amor que um dia aqui já esteve e cuja missão falhou. Cabe a vocês, como a outros, em outros lugares desta terra que se estende muito além de sua visão e imaginação, lançar as sementes que germinarão no devido tempo da precisão. Agora é hora da fé e perseverança no plantio e não na expectativa da colheita. Suor e amargor virão, mas como parte de todo um processo de depuração, até que o solo tenha condições de receber espécies mais delicadas com os nutrientes capazes de fazê-las florescer. Ora, trabalha e espera, com a paciência que cada dia impõe.”

Mais sobre “A História de Pai Arruda” aqui: http://edconhecimento.com.br/?livros=a-historia-de-pai-arruda

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