quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sobre Sacerdócio

Médium já nasce médium, é verdade, mas cada desabrochar dos estágios da mediunidade tem seu tempo certo. O meu tempo de desenvolver a incorporação foi tardio, e como estava no sul, sofria sem encontrar um lugar onde realmente me sentisse segura para me entregar a um processo tão delicado. 

Como diz o ditado, quem muito escolhe acaba ficando com o pior, e foi o que aconteceu comigo: iludida com o que parecia ser perfeito, caí num local onde somente a boa vontade dos frequentadores era o que de fato mantinha o lugar de pé. Preocupada com meu 'desenvolvimento mediúnico' , temia não encontrar um local para continuar o trabalho espiritual, mas as cartas, como em tantas outras vezes não me desampararam, e eu sabia que o local certo estava a caminho. O curso de sacerdócio da Federação Umbandista do Grande ABC não fez de mim uma intelectual umbandista, muito menos me 'vendeu' uma graduação sacerdotal; mas me deu exatamente o que eu precisava: firmeza mediúnica, uma noção baseada em valores éticos do que é a Umbanda e do que não é. 
Só eu sei os benefícios que recebi espiritualmente. 

O trabalho espiritual de cada um, é de cada um. Detalhes de culto, doutrina de entidades, isso é com a banda de cada médium, é assunto dos seus mentores, mas um ponto de partida seguro é fundamental. Por isso sou muito grata a todas as oportunidades que tive na Casa de Pai Benedito. 

Cada obrigação a orixá, um passinho para meu próprio equilíbrio.

Por isso, peço licença pra compartilhar aqui no blog uma postagem fundamental sobre a natureza do sacerdote. Se você não for capaz de ter as atitudes de acordo com o que está abaixo, não assuma esse compromisso.

Se você não é assim, se esse não é o seu 'jeito', tudo bem, siga seu caminho. Mas por favor, não conspurque uma religião tão linda como a Umbanda!

Saravá meus professores e colegas do 27 Barco. Gratidão eterna!


Orgulho x vaidade:-
Quando um transforma-se no outro?
Ao fazer suas obrigações aos Orixás, o médium vai recebendo, uma a uma, suas guias consagradas, até tornar-se um sacerdote umbandista. Cada guia representa para ele a bênção de cada Orixá, um pouco da magia e da energia que esteve naquele lugar naquele momento.
Portar essas guias nos dias de trabalhos demonstra o orgulho do médium em relação a religião, a sua fé e ao seu amor pelos Orixás, além de ser uma forma de demonstrar todo carinho e respeito que ele dedica ao que faz. Não é obrigatório o uso das guias (todas elas) nos dias dos trabalhos, mas não é errado. Portanto, não cabe julgamento aos que o fazem, pois, cada um age de acordo com seu coração, de acordo com sua alma.
Alguns acham pura “vaidade” do sacerdote carregá-las todas, mais o delogum (guia recebida durante a Obrigação a Ifá – para quem já é um sacerdote), além do Brajá. Alguns sacerdotes preferem portar apenas o Brajá, outros algumas guias e outros ainda gostam de portá-las todas. Pergunta: Como podemos classificar o que é orgulho ou o que é vaidade? Quando uma atitude deixa de ser um e passa a ser o outro? Por que achamos ter o direito de julgar um irmão de fé por usar muitas ou poucas guias no pescoço, em seu peito? Deveríamos sim julgar aqueles que cobram por sua caridade; que utilizam sua mediunidade em troca de benefícios próprios; que escolhem quem deverão ajudar; aqueles que discriminam; que fazem diferenças entre os médiuns; que utilizam as mensalidades do Templo para despesas pessoais. Esses podem ser julgados; esses, na verdade, nem podem ser considerados sacerdotes.
Quando uma pessoa ganha um presente caro ou incomum se usá-lo estará desfazendo dos outros? Estará sendo excessivamente vaidoso, ou apenas estará praticando o seu direito de usar algo seu, que ganhou de alguém querido? Por acreditar que portá-lo será uma forma de demonstrar o quanto gostou daquilo.
Perfis no facebook são usados para que as pessoas partilharem momentos felizes e tristes de suas vidas; acontecimentos inusitados que deparam; deixar claro suas opiniões sobre vários assuntos, enfim, algumas pessoas acordam postando mensagens e pouco antes de dormir desejam boa noite para pessoas que nunca viram pessoalmente e provavelmente nunca verão. Mas elas enviam fotos, mensagens, brincadeiras, pensamentos, etc, etc, etc, todos os dias da sua vida. Engraçado perceber que as mesmas pessoas que fazem isso julgam as outras. Será que todos concordam com tudo o que o outro pensa? Será que todos partilham das mesmas ideias? Das mesmas ideologias? Com certeza não, mas, apenas uma minoria acha que tem o direito de desmerecer o outro por pensar diferente. Graças a Oxalá a maioria sabe respeitar o próximo. A grande maioria consegue ter bom senso e ser tolerante.
Aliás, gostaria de falar agora sobre tolerância:
Uma pessoa é o que é em tempo integral. Honesta ou não; alegre ou não; sincera ou não; um sacerdote ou não. Ninguém é sacerdote no Templo e mau caráter fora dele, portanto, um sacerdote tem que agir como tal em qualquer ocasião. Ninguém deixa em casa a alma ou o caráter para ir a um bar. Se está numa festa, saboreando uma bebida, divertindo-se com amigos e começa uma briga, um sacerdote tentará acalmar as pessoas, separá-las, etc. Essa é a postura de um sacerdote. A pessoa não precisa estar com as guias no pescoço para agir como um. Jamais faria uma aposta para ver quem seria o vencedor.
Um médium transforma-se num sacerdote ao longo do tempo, fazendo as obrigações, atendendo as pessoas, praticando a caridade, incorporando suas entidades frequentemente, estudando e aprendendo sempre. Ao procurar um sacerdote uma pessoa espera encontrar equilíbrio, paciência, experiência e tolerância! Um sacerdote (ao receber uma pessoa) jamais sabe o que encontrará, pois, a pessoa pode querer desde apenas uma bênção ou até a solução de um problema insolúvel. Essa pessoa poderá estar triste, doente, desesperada, atormentada, perturbada, etc. A experiência e os Guias darão ao sacerdote a sustentação necessária para que ele possa lidar com isso, mas, o caráter do médium, isso nenhum Guia mudará, por isso a necessidade de praticar diariamente sentimentos como a tolerância. Aqueles que conseguem caminham mais rapidamente em direção ao desenvolvimento espiritual. Não é uma tarefa fácil, não mesmo! Trabalhar, sustentar a família, conviver com insegurança, viver num país instável, lidar frequentemente com pessoas que parecem estar testando seus limites é muito difícil, por isso não são todos que conseguem e, ao longo do caminho muitos se perdem, mudam seus rumos, peregrinam com passos falsos se distanciando dos seus objetivos. Porém, a magia da religião é ir buscar cada um nessas ocasiões. Quem já não passou por períodos difíceis, quem já não se afastou de coisas e pessoas importantes em suas vidas e depois voltaram a procurá-las?
Não deixe que isso aconteça; tenha controle sobre sua vida e sobre suas ações. Lembre-se que, para cada atitude tamada, recebe-se uma reação em troca, boa ou ruim, dependendo da ação.
Sacerdote pratique a tolerância! Quando a atitude de alguma pessoa próxima estiver lhe incomodando pense friamente se é mesmo essa pessoa que está errada ou se é você que está problemas. Não transfira suas frustações, suas angústias e suas derrotas para outros. Resolva seus problemas. Muitas pessoas sentem prazer em desmerecer coisas alheias porque dessa forma minimizam suas frustrações.
Pense nisso. Tolerância é um sentimento nobre e nobreza não é para fracos de espírito. A generosidade, a elevação e a grandiosidade da alma são conquistados com atitudes muito pequenas. Portanto, o que importa não é o que está por fora do peito e sim o que está por dentro.

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