sexta-feira, 6 de novembro de 2015

DIÁLOGO ENTRE O BOIADEIRO ZÉ DO LAÇO E UM MESTRE ÓRFICO



DIÁLOGO ENTRE O BOIADEIRO ZÉ DO LAÇO E UM MESTRE ÓRFICO
" 1 - Enfrentar a dor de frente, sim, é preciso.
2 - Aceitar ajuda para se recompor, o mais rápido possível e contar com a compreensão dos outros e de si mesmo para se entender na fragilidade, o caminho da aceitação.
3 - Seguir adiante buscando novos sentidos para empenhar o coração: o caminho da superação.
- Vejo que a vida lhe ensinou bem, Albano, e o mais importante, o seu olhar não se desviou dessas lições em atenção – sorriu-me o mestre. Ainda assim a imensa maioria dos seres humanos espera que suas ‘boas ações’ estejam bem anotadas e contabilizadas no Livro da Vida, e quando algo acontece, que lhes pareça injusto, sentem-se lesadas, como se Deus mesmo lhes roubasse a Fé que n’Ele um dia tiveram. “Eu não merecia” ou “essa ou aquela pessoa...”, “meu filho..., minha esposa... não mereciam aquilo que lhes sucedeu”. Bem, podemos não saber ao certo qual a natureza de Deus, mas uma coisa podemos afirmar com bastante afinco: Ele ou Ela não é um cobrador de impostos. Nossos feitos, bons ou ruins, podem muito bem estar anotados no Livro da Vida, ou na Malha Cósmica do Éter Universal, que é o termo que usamos no nível mais avançado dos nossos estudos, mas o conceito de uma divindade que age como um comerciante que de nós recebe ou nos paga em moedas de ‘bem feitos’ ou ‘mal feitos’, como se as benesses da vida fossem mercadorias, essa ideia de um Deus ‘negociante’ que subitamente nos lesa, ignorando nossos ‘investimentos na Sua empresa’ é decididamente um atraso interpretativo que nos conduz à revolta e ao afastamento, como consequência, da compreensão das Leis que Regem os Universos.
- Então Deus não intervém? Não toma partido?
- Essa é outra questão que discutiremos outro dia e que discorre sobre os interesses e formas de atuação divinas, quando estudamos casos em que indiscutivelmente se observa a intervenção daquilo que consideramos a Fonte Original Criadora agindo de forma sobrenatural sobre o mundo e suas criaturas. Mas aquilo que você questiona é a dor e o sofrimento que não é causado por essa Fonte Desconhecida e Misteriosa, muito pelo contrário, suas causas são muito conhecidas e têm origem nos interesses, desejos, vícios, medos e toda sorte de aspectos dissonantes da personalidade humana. Não é lógico imputar a Deus culpas pelos feitos de outrem, ainda que seja lícito questionar sua participação nos feitos de suas criaturas. Questionamos nesta escola se através de vidas sucessivas, os erros e injustiças praticados contra uns sejam reparados em outra encenação com diferentes personagens mas mesmos atores; questionamos se aquilo que chamamos de ‘desgraça’ possa se transformar, com o passar do tempo e a sublimação das dores, em ‘graça’ em algum momento, pela participação conjunta do Destino intermediando o jogo de livres-arbítrios humanos. Questionamos todas as variáveis do usufruto que Deus tem através das particularidades de suas criaturas. Não sei se você é capaz de me acompanhar..."

Nenhum comentário:

Postar um comentário