segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Sonhar com Furacão - uma Lição do Pai Rapé





Hoje quero compartilhar um sonho com todos os meus amigos, porque acredito que muitos tenham experiências semelhantes.
Durante a vida toda o sonho com ondas imensas e tornados são recorrentes. Sobre a onda não falarei agora, porque ela tem múltiplos significados, mas os tornados, à luz da psicologia junguiana e da sabedoria familiar foi algo que aprendi a identificar como 'problemas' à vista.

Geralmente em meus sonhos são tornados múltiplos, que se aproximam em plena luz do dia no meio do ambiente urbano e eu tento avisar as pessoas para que elas se abriguem em segurança.

Tenho feito da medicina do rapé indígena meu conselheiro de pouco mais de um mês para cá, e o chamo respeitosamente de Pai Rapé, pois ele tem me ajudado a compreender questões antigas e a mudar padrões de comportamento recorrentes, me auxiliando a enxergar a verdade sem ilusões. Muitas de suas lições podem ser aproveitadas por outros e por esse motivo este é outro dos livros que está na minha lista dos 'por fazer', escrever sobre aquilo que o rapé tem me ensinado.

Desta vez eu sonhei que estava sozinha em casa e uma tempestade negra avistava-se pela janela do meu quarto, concentrada e soltando raios. Ao redor o céu azul claro contrastava com o núcleo de destruição à vista. Dessa vez eu não corri para fechar as portas e avisar as pessoas, fiquei olhando a tempestade se desenvolver e dividir-se em dois outros tornados que dançavam pelos céus. Um veio em direção a mim. A poucos metros os respingos da chuva molharam a vidraça e eu me afastei para a porta do quarto, mas permaneci olhando enquanto cogitava descer correndo e me esconder abaixo da escada. Então o tornado se curvou e sua parte de cima 'colou-se' à janela do meu quarto e eu via todo aquele buraco negro e pensava:

"Alguns já estiveram no centro de um furacão, mas o viram estando no solo, de baixo para cima. Quão afortunada eu sou que posso observá-lo de cima para baixo, a partir de sua origem."

Então vi que ele já estava perdendo suas forças e não era tão largo em diâmetro, cheguei até mesmo a admirar a força da natureza e aquele turbilhão cinza em movimento. Achava interessante o mecanismo das energias. Mas tudo isso eu podia fazer porque estava segura de que ele não ultrapassaria as paredes da minha casa. O que é bastante ilógico até, porque na verdade as janelas do meu quarto balançam com qualquer vento e são bastante frágeis.

Na verdade, segundo Jung, a 'casa' representa nosso próprio corpo, sonhar com uma casa precisando de reformas revela que nosso corpo físico precisa de cuidados. No caso eu estava centrada em mim, segura em mim no momento presente, e sabia que nada poderia me causar dano, nem mesmo algo potencialmente assustador como um tornado. À medida que eu o contemplava profundamente e sem julgamento, ele se dissipava. Em seus momentos finais eu me lembrei de fotografá-lo e tentei fazer um vídeo no celular, para mostrar para os amigos, afinal, era algo raro de se ver, um tornado a partir da perspectiva do topo.

Quando tudo terminou saí às ruas e fui falar com uma família, saber se estavam bem e se sua casa havia resistido, mas eles estavam apáticos pela perda de uma criança, um menino de aparentemente três anos que havia falecido.

Ao acordar fui ter com Pai Rapé para compreender melhor essa questão, e ele me respondeu:

"O menino representava a morte da criança interior, negligenciada pelas pessoas apáticas que adultas e desconectadas de seus próprios sonhos, vivem sem esperanças, e entregam-se aos problemas da vida sem forças para reagir quando vêm as tempestades."

Encerro a narrativa do meu sonho aqui, deixando a cada um um lembrete:

"Na força da pureza pode estar a chave da resiliência".



Jennifer Dhursaille
14/08/2016



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